10 técnicas de estudo avaliadas pela ciência

Em 2013 foi publicado, pela revista científica Psychological Science in the Public Interest um artigo chamado:

Improving Students’ Learning With Effective Learning Techniques (em português seria algo como: Melhorando O Aprendizado De Estudantes Com Técnicas Eficazes De Estudo).

Como você percebeu pelo título do artigo, o objetivo foi ajudar estudantes a aprender melhor por meio de técnicas de estudo eficazes.

E olha… Acho que você vai se surpreender com os resultados. Talvez fique até com um pouquinho de revolta. Eu mesmo não gostei muito do resultado da 5º técnica avaliada (é uma das minhas preferidas).

Isso porque pode ser que alguma técnica que goste e julgue ser eficiente para você tenha sido avaliada como de baixa utilidade. De qualquer forma, não acho que esse estudo deva ser tomado como regra geral, mas, também não acho que deva ser ignorado. Por isso é importante que você leia esse artigo.

É bem possível que encontre algum ponto em que, no mínimo, mereça ser testado por você.

O ESTUDO

É muito importante que se tenha em mente que o estudo foi feito de maneira independente para cada técnica. Ou seja…

Cada técnica foi avaliada sem levar em consideração que elas podem ser utilizadas umas com as outras.

Ainda… Para o diagnóstico de cada uma delas foram consideradas algumas variáveis.

  • Condições de aprendizagem;
  • Características dos estudantes;
  • Materiais;
  • Critério da tarefa;

Se a avaliação de alguma técnica despertar em você a curiosidade sobre essas variáveis, então, recomendo que leia o artigo.

Ele é muito bem dividido e é fácil de encontrar o tópico que fala somente sobre o que você tem interesse.

Por hora, vou colocar aqui, para você, do que se tratam essas variáveis.

Condições ae aprendizagem

Incluem aspectos do ambiente de aprendizagem em que a técnica é implementada e como um aluno estuda (sozinho ou com um grupo).

Características dos estudantes

Leva em consideração características como idade, habilidades e nível de conhecimento prévio.

Materiais

Os materiais usados variam de simples conceitos para problemas matemáticos e textos científicos complexos.

Critério da tarefa

São os diferentes objetivos de um estudante na aprendizagem: memorização, resolução de problemas e compreensão.

AS 10 TÉCNICAS DE ESTUDO

As técnicas avaliadas, que veremos agora em mais detalhes, são:

1. Interrogação elaborativa

Qualquer um que passou algum tempo com crianças pequenas sabe que uma de suas expressões mais frequentes é “Por quê?” (Talvez, chegando um segundo, logo atrás do “Não!”). – Autores Da Publicação.

Basicamente é interrogar-se sobre o “por quê?” das coisas.

Se vista como um curioso e pergunte-se:

  • Por que isso faz sentido?
  • Por que isso é verdade?

… ou simplesmente:

  • Por quê?

A explicação teórica para a técnica é que melhora a aprendizagem apoiando-se na inserção de novas informações com o conhecimento prévio existente.

Esse processo ajuda a organizar as informações e facilita a recuperação.

Quanto mais precisas forem as questões, melhor.

Justamente por isso, é que pessoas com algum conhecimento prévio sobre o conteúdo estudado tiram um melhor proveito dessa técnica.

A utilidade da Interrogação Elaborativa foi avaliada como MODERADA.

2. Auto-explicação

É fazer uma explicação, para você mesmo, com suas próprias palavras, sobre o que aprendeu.

A Auto-Explicação mostrou-se mais proveitosa no estudo de conteúdos mais abstratos e o melhor momento para aplica-la é durante os estudos e não após.

A utilidade da Auto-Explicação foi avaliada como MODERADA.

3. Resumos

Frequentemente temos que lidar com grandes quantidades de informação e isso requer identificarmos os pontos importantes daquilo que estamos estudando.

Uma técnica popular para isso são os resumos.

A ideia é colocarmos os pontos importantes deixando de fora o que não tem relevância para os nossos objetivos com o estudo do material.

Foram feitos alguns testes em diferentes grupos de estudantes que utilizaram diferentes formas de se resumir.

Após o resumo, foi feita, pelos estudantes, uma prova. Uma foi logo após o resumo e outra passados alguns dias.

Os melhores resultados foram em grupos de estudantes que:

  • Faziam o resumo após lerem cada parte do material (no caso, a parte era uma página, ou seja, a cada página); e
  • Os que resumiam enquanto liam. A cada parágrafo lido decidiam o que era importante para o resumo.

A técnica de Resumos foi avaliada como de utilidade BAIXA.

Lembrando que os testes foram feitos tento em vista que o resumo foi utilizado como técnica de estudo e não técnica de revisão.

E foi levado em consideração também que a maioria dos estudantes tem dificuldades em identificar as partes principais do conteúdo que está sendo estudado.

4. Destacar (grifar e sublinhar)

Todo professor que já examinou o material de estudo de seus alunos está acostumado a ver um material multicolorido.

Essa técnica foi avaliada pelos pesquisadores por ser muito utilizada entre os estudantes. E como é uma coisa fácil de se aplicar veio a pergunta:

Uma técnica tão fácil de se usar pode mesmo ajudar os estudantes?

A primeira coisa a se observar é que, nos testes que foram feitos, os resultados foram melhores com estudantes que grifavam o texto do que com estudantes que, simplesmente, liam o texto grifado.

Foram também dados dois alertas para quem costuma sublinhar muitas partes de um texto:

Primeiro, que destacar muita coisa reduz a capacidade de distinção do texto não sublinhado.

E segundo que, existe um esforço menor em marcar muito texto.

Grifando muito texto, a pessoa entra em uma espécie de piloto automático e vai marcando tudo sem um critério bem definido. E acaba que os detalhes mais importantes continuam sem um destaque.

A técnica de Destaque foi avaliada como de utilidade BAIXA.

Lembrando que, como no caso dos resumos, foi levado em consideração a dificuldade de se identificar as partes importantes de um texto.

Uma dica, encontrada no artigo, que também foi baseada em testes com alunos, é que devemos limitar a quantidade de texto a ser destacado no material estudado.

Essa limitação obriga sermos mais criteriosos na hora de identificar as partes importantes do texto.

5. Mnemônicos

É criar uma imagem mental de palavras/conceitos chaves, que se deseja memorizar, associado com algo fácil de se lembrar.

A ideia é que ao se lembrar da associação você também se lembre da palavra/conceito chave.

Imagine um estudante aprendendo inglês, incluindo, por exemplo, a palavra strawberry (significa “morango” e você pode ouvir a pronuncia aqui).

Para facilitar o estudante cria a imagem mental de uma pessoa berrando por um morango.

Em testes feitos com grupos diferentes de estudantes no aprendizado de idiomas…

Os que usaram a técnica tiveram um resultado significativamente melhor do que o grupo que não usou, mas foram encontradas limitações. E por isso…

A técnica de Mnemônicos foi avaliada como de utilidade BAIXA.

Ela é muito boa para o estudo de materiais onde é fácil encontrar as palavras-chave para que seja feita a relação e imagem mental.

Só que se mostrou ineficiente (em termos de tempo necessário para treinar a técnica e reconhecer as palavras-chave) em materiais mais complexos onde havia uma dificuldade de se encontrar palavras-chaves para criar uma associação e imagem mental.

6. Mentalizar imagens

Consistem em mentalizar imagens que representem o que está sendo estudado.

Nos testes feitos, o grupo de pessoas que usaram a técnica se sobressaiu ao grupo que não usou. Além disso…

Usar um conhecimento prévio do conteúdo, juntamente com a técnica, ajuda a gerar uma representação mais coerente, melhorando o entendimento.

Apesar desses primeiros testes, com resultados relevantes, foram encontradas algumas limitações.

A técnica funciona melhor se for um texto narrativo ou histórias curtas que possuem termos concretos, pois, essas são mais fáceis de serem “visualizadas”.

Os resultados foram melhores também quando os estudantes ouviam o texto ao invés de lê-lo.

Somado a isto tem-se ainda que é um teste difícil de se acompanhar, pois, deve ser considerado que…

Alguns estudantes que foram instruídos a fazer o uso da imagem mental podem não tê-la feito e pode ter acontecido também o contrário. Alguns sem a instrução de imaginar podem ter imaginado.

Por essas limitações a técnica de Mentalizar Imagens foi avaliada como de utilidade BAIXA.

7. Releitura

Foi a técnica mais utilizada dentre os estudantes que responderam as pesquisas.

Nos testes que foram feitos foi observada significativa melhora que foi proporcional a quantidade de releituras.

A releitura aumentou a quantidade de informação absorvida e também a organização e o processamento de ideias.

Interessante observar que para se ter resultados com a releitura não é necessário conhecimento prévio sobre o assunto.

Os testes mostraram também que uma releitura espaçada é melhor que a releitura imediata. O espaço de tempo para uma segunda leitura pode variar entre, 30-50 minutos, 2 dias e 1 semana.

Embora esses benefícios tenham sido encontrados em um amplo grupos de materiais, existem vários casos que precisam ser avaliados.

A maioria dos testes tem mostrado efeitos relacionados a memorização, mas, não está claro no que toca a compreensão do material estudado.

A técnica de Releitura foi avaliada como de utilidade BAIXA.

8. Testes práticos

São as tão temidas, pelos estudantes, provas e/ou simulados.

O fato é que fazer testes e simulados é uma das melhores formas de aprender e reter o conhecimento adquirido. Vários testes mostraram isso.

Além de fazer os simulados e exercícios que podem ser encontrados na internet e nos finais de cada capítulo dos livros…

Também podem ser usados os Flashcards e The Cornell Note-taking System.

Essa técnica foi avaliada como de utilidade ALTA.

9. Prática distribuída

Se trata de distribuir o material a ser estudado ao longo do tempo (ou dentro de uma única sessão de estudo ou em entre sessões).

Em testes feitos foi concluído que o espaço entre cada sessão deve ser entre 10 e 20% do período em que se deseja manter o conteúdo retido em memória.

Por exemplo…

Se deseja se lembrar de algo por uma semana as sessões devem ser espaçadas entre 12 e 24 horas; para se lembrar de algo por 5 anos o espaço deve ser entre 6 e 12 meses.

Obviamente, estudantes que estão se preparando para provas poderão não ter tempo para estas “revisões”, mas, é útil para que se retenha o conhecimento para as próximas provas em que o conteúdo vai se acumulando.

A utilidade da Prática Distribuída foi avaliada como ALTA.

Isso porque é uma técnica que funciona para pessoas de diferentes idades, fácil de se implementar em diferentes tipo de materiais e vários estudantes já tem utilizado ela com sucesso.

10. Prática intercalada

Praticamente em todos os tipos de cursos, faculdades, ensino médio ou até quando se dispõe a estudar para algum concurso os estudantes só passam para um próximo tópico após terminar o anterior.

Em contraste, a Prática Intercalada sugere a divisão do tempo reservado para os estudos, entre diferentes tópicos da matéria estudada.

Para entender melhor foi feito um teste com estudantes de geometria que deveriam ler tutoriais sobre como encontrar o volume de 4 diferentes formas geométricas e, após isso, iriam fazer 4 exercícios para cada forma (16 no total).

Os estudantes foram separados em 2 grupos.

Para o primeiro grupo, foi proposto fazer os execícios sobre cada forma logo após ler o seu respectivo tutorial. E o segundo faria os testes somente depois de lerem todos os 4 tutoriais.

Além do exercício feito, logo após estudarem, os dois grupos foram submetidos, uma semana depois, a um outro teste.

Os resultados do primeiro teste foram melhores entre os estudantes do primeiro grupo (que estudaram por blocos). Mas…

Nos exercícios feitos uma semana depois o grupo de prática intercalada se saiu melhor. O que sugere que a Prática Intercalada, assim como a Prática Distribuída, favorece retenção na memória de longo prazo.

Apesar da carência em pesquisas para essa técnica…

O que se concluiu até agora foi que a Prática Intercalada tem utilidade maior quando o aprendizado envolve movimentos físicos e tarefas cognitivas (como problemas matemáticos).

A utilidade da técnica foi avaliada como MODERADA.

E VOCÊ? QUAL TÉCNICA USA PARA ESTUDAR?

Qual a sua técnica preferida?

Deixe uma recomendação aqui nos comentários sobre qual técnica você está utilizando (e gostando).

Principalmente se ela não foi listada aqui.

CONCLUSÃO

Vimos o resultado da avaliação, pela ciência, de 10 técnicas de estudo:

Como comentado no início, não acho que esses resultados devam ser tomados como regra geral, mas, não devem ser ignorados.

Por isso, mesmo que não goste muito, é bom que sejam utilizadas com mais frequência (a fim de testes), pelo menos, as que tiveram melhor avaliação:

Agora que você conhece as técnicas de menor avaliação na pesquisa científica, precisa saber sobre os 3 ERROS críticos que os estudantes cometem. Você pode clicar agora na imagem abaixo:

Abraço,

Alexandre Afonso

Crédito imagem: pixabay