Como organizar a informação mentalmente utilizando perguntas poderosas?

Gostaria de saber como organizar a informação e encontrar as respostas para as dúvidas mais complexas?

Tem momentos em que estamos aprendendo um novo assunto ou matéria, temos todo o material a disposição (através de livros e internet), mas ainda sim ficamos cheios de dúvidas.

É como se alguma ou algumas peças do quebra-cabeça tivessem desaparecido.

Acontece isso com você?

Quado acontece comigo, eu tenho basicamente dois caminhos para seguir.

Um deles é dar uma pausa no estudo. Quando é assim, vou tomar um ar fresco ou fazer qualquer outra coisa que NÃO seja relacionada com o conteúdo.

Na verdade, essa técnica do ar fresco (se é que posso chamar de técnica) funciona muito bem.

Mas… Particularmente eu não gosto de ficar fazendo isso. Uso essa primeira opção geralmente quando estou cansado.

Eu gosto mesmo é do segundo caminho. Onde eu organizo toda a bagunça que fica em minha mente para encontrar as peças do quebra-cabeça ou ter clareza de onde procurá-las.

Muitas vezes até, a resposta está debaixo do nosso nariz, mas a desorganização das informações em nosso cérebro não permite encontrá-la.

Até o final desse artigo você vai ter aprendido 4 técnicas para resolver esse problema da desorganização de uma vez por todas e… Vai conseguir eliminar qualquer dúvida que possa ter do conteúdo.

Sem contar que informação organizada é um impulsionador da criatividade.

Então… Se as informações na sua cabeça estão brincando de pique-esconde, agora nós vamos aprender como encontra-las.

COMO ORGANIZAR A INFORMAÇÃO

Usamos a memória de trabalho para raciocinar e organizar a informação. O problema é que essa nossa memória é bem limitada e de pouca duração.

Existe um certo consenso entre os cientistas de que ela é capaz de dispor de mais ou menos 4 unidades de informação (geralmente chamado de chunks).

Por isso é bastante difícil organizar nosso cérebro diante de informações que ainda são complexas para nós.

Apesar de termos esse limite de 4 chunks, tem uma boa notícia: não há limite (pelo menos não conhecido) sobre o tamanho de cada um deles, ou seja, toda vez que você vence uma etapa, organiza a informação e joga ela na memória de longo prazo (que pode ser através de revisões) esse novo conhecimento se junta ao antigo.

Depois que as unidades são organizadas, elas podem ser utilizados no raciocínio de um próximo assunto que for relacionado. Seu conhecimento anterior vai se unir ao novo e eles vão passar a ocupar somente 1 item na memória de trabalho.

Essa artigo vai apresentar justamente isso: uma forma de organizar a informação para que você consiga ver uma luz no fim do túnel. Quando aplicar as técnicas do artigo, poderão acontecer duas coisas:

  1. Você vai perceber que a resposta para sua dúvida já estava em sua cabeça; Ou…
  2. Vai ter clareza de onde pode encontrá-la;

O primeiro caso acontece quando você tem toda a informação que precisa e o único problema é a desorganização te impedindo de ligar os pontos e chegar na resposta.

Esse segundo caso seriam os momentos em que não conseguimos ter a noção de onde buscar a peça que falta no quebra-cabeça mesmo que ela esteja em nosso material de estudos.

As técnicas que vão nos ajudar com isso são:

  1. Técnica Da Desconstrução;
  2. Técnica Da Super Pergunta;
  3. Técnica Do Plano De Ação;
  4. Técnica Da Compressão;

Elas vão te ajudar a mostrar para sua memória de trabalho quem é que manda!

Vamos as técnicas.

Técnica #1: Desconstrução

Muitas vezes a confusão mental pode se dar por querer entender uma parte muito grande da informação. Talvez somente a desconstrução desse material já seja o suficiente para a compreensão do todo ou… talvez não. Vou explicar.

Terão casos em que ter a visão das partes do material já vai ajudar a arrumar a bagunça. Em outros, a desconstrução do material talvez não seja suficiente para o entendimento. Mas, mesmo quando a desconstrução não é suficiente, ela ainda é vantajosa para que, após feita, você aplique as outras técnicas que vamos aprender aqui em cada parte do todo.

Cada tipo de conteúdo pode ser dividido de diferentes formas. Vou mostrar alguns exemplos para quem quer ter uma ideia de como fazer isso:

Materiais científicos podem ser desconstruídos em:

  • Fórmulas;
  • Pessoas;
  • Datas;
  • Conclusões;

Literatura:

  • Nome;
  • Ideia;
  • Lugar;

Livros:

  • Capítulos;
  • Tópicos;
  • Páginas;

Essas divisões são somente exemplos. Você não precisa utiliza-las da forma como passei e muito menos se limitar a elas. Também não precisam ser divisões por algum tipo de lógica ou classificação. Pode ser, simplesmente, por quantidade. Falando em livros, por exemplo, a quantidade poderia ser um parágrafo, uma página, tópico, capítulo, etc..

Como disse, não tem regras sobre como desconstruir um material e, mesmo sem alguma regra lógica, poderá ser bem proveitoso.

Técnica #2: A Super Pergunta

Acabei encontrando essa técnica na época em que eu buscava melhorar a qualidade da minha comunicação no trabalho através de e-mails. Utilizei ela as primeiras vezes no trabalho e só depois comecei a aplicar nos estudos de forma geral.

Essa é disparada a técnica que mais uso. Não porque fui eu quem inventou, é porque, realmente, funciona.

Você pode utilizá-la para organizar sua mente durante os estudos e até mesmo para ter clareza sobre dúvidas que você possa vir a ter no trabalho.

Para entender melhor o que seria essa tal super pergunta, imagine um aluno qualquer que está com a mente dele toda bagunçada, com uma dúvida complexa e chega para o professor para tirá-las. Geralmente, quando um aluno (de qualquer nível, colegial, faculdade, etc.) tem uma dúvida dessas, ele nem faz uma pergunta para o professor. Ele pede um favor:

Professor… Me explica isso aqui, por favor?

Daí o professor, com boa vontade, explica tudo do zero para ele.

Agora, imagine que o professor não aceite isso e diga para o aluno:

Eu não vou explicar do início e digo mais… Você só tem direito a uma pergunta.

Para o aluno tirar a dúvida que tem sobre o conteúdo ele teria que elaborar muito bem sua pergunta. Essa seria a super pergunta.

Resumindo… A super pergunta funciona da seguinte forma: você vai elaborar uma pergunta tão boa, mas tão boa… Que a resposta vai estar nela própria.

Sério!

Ela permite tirar a complexidade da resposta para jogar essa complexidade na pergunta. O legal disso é que a pergunta nós podemos sempre fazer e a resposta, obviamente, não.

A ideia é que você escreva uma pergunta que seja tão clara, tão clara que a pessoa interrogada vai conseguir entendê-la mesmo com toda a complexidade.

Sabe qual a vantagem de uma pergunta assim? É que a pergunta fica tão bem elaborada que a informação que está na mente acaba se organizado de forma que é possível acabar por encontrar a solução do problema sem ter que repassar a pergunta.

Como elaborar a Super Pergunta

Para chegar na super pergunta eu faço algumas outras menores. A maioria das vezes dá para responder essas perguntas menores de forma oral, mas, quando o conteúdo está um pouco mais complexo, eu chego a escrever as respostas.

Para começar, utilizo uma pergunta bem óbvia: “Qual é a minha dúvida?“. Sim, ela mesma. Faço um esforço real para conseguir explicar para mim mesmo e de forma clara qual é a minha dúvida. Parece cômico, mas a partir daí eu já começo a formatar a super pergunta em minha mente.

Muitas vezes eu consigo chegar nela somente com esse primeiro passo. Em outras é necessário partir para o próximo.

Nesse próximo passo eu continuo do mesmo princípio, mas com perguntas que são menores, mini-perguntas. Chamo elas de mini não porque possuem poucas palavras, mas sim porque elas abrangem os pequenos pedaços da informação.

As mini-perguntas são:

  • Eu tenho os pre-requisitos necessários para entender a informação?
  • As verdades (ou premissas) que assumi sobre a informação estão corretas?

    • Quais estão corretas?
    • Quais são duvidosas?
    • Tem alguma que já posso eliminar?

Eu procuro responder a essas questões da seguinte forma: supondo que estou querendo entender um conceito de alguma coisa em algum assunto que é totalmente novo para mim, pego um ponto de partida e vou repassando toda a informação que tenho. Para cada trecho da informação eu me faço essas mini-perguntas.

Com o cruzamento das respostas que vou obtendo de mim mesmo eu consigo chegar na super pergunta ou, no meio da elaboração para super pergunta, posso chegar direto na resposta ou no caminho para ela.

Técnica #3: Plano De Ação

Essa técnica aqui é muito boa para organizar a informação, principalmente, em momentos que você precisa colocar ela no papel. Seriam momentos onde você vai tomar notas de alguma coisa ou até elaborar uma redação.

Ela é utilizada na construção de artigos jornalísticos, gestores utilizam ela como ferramenta para criação de planos de ação (conhecido como 5W e suas variantes como 5WH e 5W2H) e recentemente descobri que pode ser utilizada até para a elaboração de piadas de stand-up comedy e até para ajudar pessoas tímidas a conseguirem manter uma conversa agradável com outras pessoas!

E veja… Se dá certo para esses outros casos porque não daria para o nosso caso de querer organizar nossa mente afim de criarmos boas anotações?

Não fui eu o primeiro a utilizar essa técnica para organizar informações relacionadas ao conteúdo estudado, já vi ela em alguns livros e cursos sobre o tema aprendizagem acelerada.

Basta utilizar-se das 5 perguntas abaixo:

  • O que …?
  • Quem …?
  • Onde …?
  • Quando …?
  • Como …?
  • Por que …?

Tendo essas perguntas como base você começa a formular algumas cujas respostas vão te permitir ter clareza do conteúdo.

Vamos supor que você esteja aprendendo sobre inteligência emocional. A partir daí criaríamos as perguntas:

  • O que é inteligência emocional?
  • O que ela resolve?
  • Quem descobriu?
  • Quem usa?
  • Onde ela foi descoberta ou criada?
  • Quando foi descoberta?
  • Quando aplicar inteligência emocional?
  • Quando ela foi difundida?
  • Como funciona?
  • Como usar?
  • Por que usar?
  • Por que foi criada?

Você pode ir muito além dessas. Não precisa se limitar. Pode fazer menos perguntas ou mais. Vai depender de você, da bagunça que está sua mente e dos seus objetivos com o conteúdo.

Você pode fazer essas perguntas mesmo antes de consumir algum tipo de informação. Elas já vão deixar seu cérebro antenado para as informações que são importantes dentro do conteúdo.

Quem sabe, se você já fizer essas perguntas antes de começar os estudos, elas podem evitar que seus pensamentos fiquem bagunçados.

Técnica #4: Compressão

Já reparou que é muito mais fácil aprender uma fórmula matemática quando você sabe de onde ela veio?

É muito mais fácil entender a solução que foi dada para algum problema quando você descobre a origem do mesmo.

Concorda?

Entendendo a origem, fica fácil de chegar no fim. Dessa forma a informação se organiza e melhor, fica menor do que antes, pois, agora você consegue chegar no fim pela dedução.

Isso acontece muito com pessoas que precisam estudar uma lista de coisas pré-definida por terceiros. Seriam as pessoas que prestam vestibulares, concursos e coisas do tipo. Frequentemente nessa lista de coisas (no edital de um concurso público, por exemplo) está escrito que é preciso aprender “C”, “D”, “E”, mas não está explicito que é preciso aprender “A” e “B”. Só que “A” e “B” são uma espécie de pré-requisito para se entender as outras coisas.

Muitas vezes dá para se virar com o conteúdo sem estudar seus pré-requisitos, mas fica muito mais difícil para entender, organizar e memorizar a informação.

Caso perceba que não domina os pré-requisitos, tenha curiosidade e busque saber o porquê de cada detalhe da informação. Mesmo que depois decida que não precisa correr atrás dos pré-requisitos, procure sempre se perguntar:

  • Por que esta informação é desse jeito?
  • Existe alguma regra arbitrária para que isso que estou estudando seja assim?
  • Isso é uma coisa dedutível? Há uma forma de chegar nessa informação por dedução?
  • O que eu não sei que caso soubesse me facilitaria aprender melhor isso aqui?

Depois que entende os porquês, as coisas começam a se encaixar de forma que vai bastar conhecer a raiz da informação para lembrar ou deduzir todo o resto.

CONCLUSÃO

Tenha em mente que uma técnica não exclui a outra. Você não só pode, como deve combiná-las. A ideia é que, no final das contas, você crie o seu jeito e organizar as ideias.

Somente as duas ou três primeiras vezes que tentar utilizar cada uma das técnicas, aconselho que sejam em separado. Tente não misturar uma com a outra. Isso vai ajudar entender a mecânica de cada uma.

Você deve ter reparado que essas técnicas de organização são muito baseadas em perguntas. Reparou?

Com boas perguntas é possível não só organizar a informação como também encontrar soluções para nossos problemas (nos estudos e no dia a dia).

É por isso que acredito muito na afirmação:

Não são as respostas que movem o mundo. São as perguntas!

Essa afirmação ganhou mais força para mim, quando parei para pensar sobre o quanto uma boa pergunta pode nos ajudar a dar o próximo passo. Quem sabe em um próximo artigo falamos mais sobre isso.

Já terminando, quero convidar você para se inscrever em minha lista de e-mails para receber artigos, atualizações e dicas sempre que tiverem disponíveis. Basta colocar seu e-mail logo abaixo desse artigo aqui (sessão Newsletter).

Abraço,

Alexandre Afonso

Imagem: pixabay